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Comportamento

Saúde mental no trabalho: o que mudou depois da pandemia

Por Gustavo Medeiros • Publicado em 2026-05-22 • Atualizado em 2026-05-23
Saúde mental no trabalho: o que mudou depois da pandemia

Seis anos após o início da pandemia, os efeitos na saúde mental dos trabalhadores brasileiros ainda são sentidos — e algumas mudanças vieram para ficar.

A pandemia de Covid-19 foi um experimento involuntário em saúde mental coletiva. Seis anos depois, os dados mostram que seus efeitos ainda são sentidos no ambiente de trabalho brasileiro, mas também que algumas mudanças positivas emergiram daquele período de crise.

Pesquisa do Instituto de Psicologia da USP com 3.400 trabalhadores de diferentes setores revelou que 41% ainda relatam níveis elevados de ansiedade relacionada ao trabalho, contra 28% no período pré-pandemia. O burnout, síndrome de esgotamento profissional reconhecida pela OMS como doença ocupacional, afeta hoje 23% dos trabalhadores formais brasileiros.

"A pandemia não criou esses problemas, mas os amplificou e os tornou visíveis. Antes, muita gente sofria em silêncio porque não havia espaço para falar sobre saúde mental no trabalho. Hoje, esse espaço existe — ainda que de forma desigual", avaliou o psicólogo organizacional Carlos Drummond.

Por outro lado, a pesquisa também identificou mudanças positivas. A aceitação do trabalho remoto e híbrido aumentou a satisfação de 38% dos trabalhadores que tinham longos deslocamentos. Empresas que implementaram programas estruturados de saúde mental reportaram redução de 22% no absenteísmo.

O desafio agora é garantir que essas mudanças não fiquem restritas a grandes empresas. Trabalhadores de pequenas e médias empresas, que representam 70% do emprego formal no Brasil, ainda têm acesso muito limitado a programas de saúde mental no trabalho.

Gustavo Medeiros
Psicólogo clínico e colaborador do Foco Sane. Especializado em saúde mental e qualidade de vida no contexto nordestino.

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